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Erros de pronúncia mais comuns de brasileiros falando inglês

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Marcos Lobão
·22 de abril de 2026
Se você é brasileiro e já tentou falar inglês, com certeza já tropeçou em algum desses erros de pronúncia mais comuns de brasileiros. Não importa o quanto você estuda vocabulário e gramática: se a pronúncia não estiver afiada, muita coisa se perde na comunicação. O bom é que errar é parte do caminho — e, com alguns ajustes práticos, dá pra melhorar muito.

"Eu mesmo passei vergonha pronunciando 'beach' de um jeito que me olhavam torto. Só depois de apanhar muito que entendi onde tava errando." — Marcos Lobão

Quais são os erros de pronúncia mais comuns de brasileiros no inglês?

Os erros que a maioria dos brasileiros comete vão desde confusão de vogais até trocar sons que nem existem em português por outros mais familiares. Vários destes deslizes passam batido porque, no português, as regras são simplesmente diferentes, tanto nos sons quanto na posição do acento.

Vou detalhar cada um dos problemas mais chatos — e, claro, como evitar que eles continuem te travando.

Por que os brasileiros têm tanta dificuldade com sons de vogais em inglês?

A maior pegadinha começa nas vogais. Em português, temos poucas vogais e sons mais limitados, fora os nasais, que confundem bastante quando o assunto é inglês. Só que o inglês é lotado de vogais quase idênticas pra ouvido brasileiro. É aí que começa a confusão entre palavras como “ship” e “sheep” ou “man” e “men”.

É fácil pronunciar “bit” (/bɪt/) igual a “beat” (/biːt/), simplesmente porque nosso ouvido e boca não treinam direito essa diferença.

Exemplos de confusão de vogais:


  • “Full” vira “fool” (como se fossem a mesma coisa)

  • “Man” dito igualzinho a “men”

  • “Hat”, “het”, “hit”, “hot”, “hut”: tudo soa parecido na hora do vamos ver


O segredo aqui é ouvir com atenção quase cirúrgica essas diferenças. Fazer exercícios com pares de palavras (os famosos minimal pairs), gravar sua voz e comparar com nativos.

"No começo, eu achava que o inglês era cheio de vogal igual. Quando comecei a gravar minha fala e comparar, saquei onde tava errando." — Marcos Lobão

Como evitar o erro da terminação -ed dos verbos no passado?

Outro erro clássico é pronunciar o -ed dos verbos regulares de qualquer jeito. No português, a gente lê tudo como escreve e, quando se depara com “learned”, tende a soltar um "lurnêd". A real é que, em inglês, o E raramente é pronunciado nessas situações. Fica mais pra "lurnd" do que "lurned".

Há basicamente três formas de falar o -ed:

  • /t/ depois de sons surdos: “worked” (/wɜrkt/)

  • /d/ depois de sons sonoros: “learned” (/lɜrnd/)

  • /ɪd/ depois de T ou D: “wanted” (/ˈwɒntɪd/), “needed” (/ˈniːdɪd/)


Não é intuitivo pra gente. Mas fazer listas, repetir e ouvir exemplos ajuda muito. O importante é não criar sílaba extra onde não existe.

Por que brasileiros colocam um "i" a mais no fim das palavras?

Acostuma a reparar: brasileiro tem mania de colocar um “-i” no fim de palavra que termina em consoante. Por exemplo, “stop” vira “stopi”, “cat” vira “catchi”. Isso acontece porque, no português, poucas palavras terminam só com som de consoante. A boca pede pra fechar a sílaba com alguma vogal.

O inglês, pelo contrário, adora terminar palavras em consoante, e se você joga um “i” no fim, acaba criando outra palavra — quando não uma palavra que nem existe.

Dicas pra não errar:


  • Treine parar a fala na consoante, sem acrescentar nada

  • Grave sua fala e tente ouvir se não escorregou pra adicionar esse “i” invisível


Como acertar os sons do TH, H e R no inglês?

O famigerado TH

Seu pesadelo pode ser esse, e não é só você! O TH (tanto o /θ/ de "think" quanto o /ð/ de "that") não existe no nosso idioma. O jeito mais comum de errar é trocar por F ("fink"), S ("sink"), T ("tink") ou D ("dis" para "this"). Nativos até se acostumam, mas soa esquisito.

O jeito certo? Língua entre os dentes, sopra levemente. Mico garantido, mas essencial.

Troca entre H e R

No português do Brasil, aquele R forte, tipo do Rio, lembra até um H inglês. Por isso, “rat” acaba soando “hat”, e vice-versa. Falar “hun” querendo dizer “run”, ou “hate” no lugar de “rate” é erro corriqueiro.

O H inglês é suave, só um sopro, enquanto o R inglês é mais pro nosso R de interior, sem puxar pro gutural.

L final de sílaba que vira W

Nosso L, quando aparece no fim da sílaba (como em “mal”, “Brasil”), puxa pra um som de U ou W. Por isso, “pool” dito por brasileiro pode soar “puu”, “fool” vira “fuu”, “bottle” sai como “bottow”. Nativo acha estranho, e às vezes nem entende.

Pra acertar, a ponta da língua precisa encostar atrás dos dentes de cima, segurando o som. Treinando palavras como “feel” e “pool” já dá pra sacar a diferença.

D e T finais viram DJ e TCH

Brasileiro vira e mexe solta "badj" no lugar de "bad" ou "pitch" pra "pit". Não faz sentido em inglês, porque você acaba criando outra palavra: “badge” e “pitch” têm significados próprios.

Muita calma: D e T finais são sequinhos, sem puxar pro som de “dj” e “tch”.

M, N e NG: misturando no final

No português, o M quase nunca aparece em final de palavra, e quando aparece vira nasal ou N. Por causa disso, "team" pode virar "tean", "fame" fica "fain" e "harm" escapa como "harng". O NG (/ŋ/) do inglês também parece um mistério.

Exercício bom é treinar palavras que terminam em M, N e NG lado a lado, sentindo onde a boca fecha ou vibra o nariz.

O que são erros de acentuação e entonação em inglês?

Tônica na sílaba errada

Português e inglês tratam o acento (sílaba forte) muito diferente. No português, a penúltima sílaba normalmente é tônica. Em inglês, a tônica muda bastante e pode estar em qualquer lugar. Brasileiro que esquece disso fala “SaTURday” em vez de “SATurday”, por exemplo.

Errar a sílaba tônica não só confunde quem te ouve, mas às vezes muda o significado. É bom checar em dicionários online com áudio, ou em aplicativos, onde tá o stress da palavra. Repetição é o caminho.

Entonação da frase: estressando tudo

No português falado no Brasil, a gente muda o tom pra caramba, enfatizando quase todas as palavras importantes. Em inglês, o ritmo é diferente: só certas palavras são realmente destacadas (normalmente substantivos, verbos, adjetivos e advérbios). Se você estressa tudo, a frase vira uma bagunça.

Treine frases reais, ouvindo cuidadosamente o que é enfatizado de verdade. Sofisticar esse ouvido é fundamental pra soar mais natural.

Por que acontece tanta transferência do português pro inglês?

O maior motivo desses erros é a influência do nosso ouvido, língua e hábito ao falar português. O cérebro tenta usar o que já conhece pra reproduzir sons em inglês — daí sai uma mistura. Não existe erro mais "feio" ou "grave"; quase todo mundo vai tropeçar nessas dificuldades no começo.

O importante é não se martirizar, prestar atenção e, principalmente, treinar ouvindo e falando regularmente (e não só lendo). Isso faz toda diferença.

Como treinar para evitar os erros mais comuns?

  • Grave e escute seu próprio inglês (de preferência, em frases inteiras e não só palavras isoladas)

  • Faça shadowing: ouça áudios de nativos e repita simultaneamente

  • Monte listas dos mínimos pares (casais de palavras que mudam só uma letra/som, tipo "bit" e "beat")

  • Quando travar num som, procure dicas em vídeos, podcasts ou canais voltados pra pronúncia

  • Busque feedback de quem domina o idioma, sem vergonha de errar


Lembrando: a meta não é soar britânico ou americano—é ser entendido e se sentir confortável.

Quais erros de pronúncia geram mais mal-entendidos?

Tem alguns deslizes que realmente dificultam a comunicação:

  • Trocar "beach" por "bitch", "sheet" por "shit"

  • Falar “thirty” como “dirty”

  • Adicionar sílabas extras: transformar “stop” em “istopi”

  • Deslocar o stress na palavra a ponto de ninguém reconhecer qual é


O maior segredo é: se notar que a conversa parou ou o outro pediu pra repetir, tente simplificar e pensar se não trocou nenhum desses sons-chave.

Dá pra perder o sotaque brasileiro por completo?

A real: perder o sotaque completamente é raro (até nativos de regiões diferentes têm sotaques próprios). Mas é totalmente possível ser entendido claramente e se orgulhar do seu inglês, mesmo carregando traços brasileiros.

Aliás, não existe inglês "limpo". O que importa é clareza. Pronúncia boa não é igual a ausência de sotaque, e sim a conseguir se comunicar sem que o outro precise de legenda.

Como ganhar confiança ao falar, mesmo errando?

Falar com insegurança é normal, principalmente quando a pronúncia trava. Um ponto chave é aceitar que corrigir pronúncia leva tempo e não deve ser motivo pra deixar de se arriscar em conversas reais — mesmo na internet, com desconhecidos ou amigos.

Tente praticar regularmente, sem se comparar e sem pressa de parecer perfeito.

"Eu jurei que nunca ia conseguir falar 'three' direito. Depois de meses praticando com a língua pra fora e passando vergonha, do nada ficou natural." — Marcos Lobão

O que mais é importante pra evoluir na pronúncia?

  • Ouvindo bastante inglês real (música, séries, podcasts)

  • Compartilhando dúvidas com colegas que também estão aprendendo (as mesmas dificuldades são comuns)

  • Mantendo o hábito de brincar com a fala: imite, exagere, torne treino divertido

  • Tenha paciência. Algumas melhorias levam semanas, outras meses, mas todas acontecem com persistência


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Perguntas Frequentes

Por que brasileiros erram tanto o som do TH em inglês?

Porque esse som não existe no português brasileiro, então o cérebro tenta substituir por sons conhecidos como F, S, T ou D.

Como não errar na hora de pronunciar palavras com -ed no final?

Ouça bons exemplos e lembre-se que, na maioria dos casos, o 'e' é mudo. O -ed soa diferente dependendo da letra antes dele.

Trocar L final por U ou W é mesmo tão problemático?

Sim, porque muda o significado ou deixa a palavra irreconhecível para nativos. Vale a pena treinar!

Dá pra corrigir todos esses erros sozinho?

Com prática, gravação da própria voz e ouvindo muito inglês real, dá pra melhorar muito, sim. Mas feedback ajuda bastante.

Preciso perder todo o sotaque brasileiro?

Não! O importante é ser entendido. Sotaque não é defeito; clareza e confiança valem mais.

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Marcos Lobão

Fundador da Fluency Route. Músico, professor de inglês e pesquisador de aquisição de linguagem via música.

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